AMIGOS DE PEIXES DESPORTIVOS DO MUNDO

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ÁGUA DOCE - ISCOS PREPARADOS

Utilizar um isco adequado é um dos segredos do êxito da pesca com cana, quer se esteja a pescar uma carpa num pequeno lago ou um espadim num oceano tropical. A variedade de iscos utilizados hoje em dia pelos pescadores é enorme. E fazer a escolha acertada requer um bom conhecimento, não só da dieta e dos hábitos alimentares dos peixes mas também do tipo de isco mais eficaz para a sua atracção. Os iscos podem dividir-se em três, básicamente os iscos preparados os iscos naturais e os artificiais. Mas a função de todos é enganar os peixes para que piquem o anzol.

Assim que dentro do meu pequeno conhecimento tentarei explicar da melhor forma possível alguns dos iscos utilizados para várias espécies em água doce.

O PÃO : o pão proprociona uma série de iscos diferentes que podem ser usados de várias maneiras. A côdea, devido à grande porosidade que possui flútua com muita facilidade e durante um largo periodo de tempo devido a isso pode ser arrastada, colocada no fundo ou acenada livremente na linha em lagos para a carpa, o barbo, a tenca, ou o olho verde ou a boga e em ríos para a pardelha dos Alpes ou para o escalo do Norte. O miolo pode ser usado para isco de anzol ou com engodo. Para o anzol o melhor é o que provém de uma fatia de pão realmente fresco, pois durará mais tempo devido à sua consistência húmida. Também pode ser transformado numa pasta se o misturarmos com água e se o amassarmos numa toalha porosa, dando origem a uma massa pegajosa ideal para aplicar no anzol e com grande poder atractivo para os peixes. É provavelmente o mais antigo dos iscos, e apesar de todas as inovações existentes continua a ser a base de muitos engodos e a exercer um poder atractivo sem igual na pesca em água doce. Além disso devido às suas propriedades existe a possibilidade de aderir ao pão um sem fim de sabores dependendo da necessidade. Existe já pão especialmente fabricado para a pesca, o famoso Pão Francés, embora este se utilize somente para pescar à boga, qualquer outro peixe também o comerá.
SEMENTES E GRÃOS: muitas sementes e grãos constituem umas partículas excelentes para utilizar como isco, mas todos eles devem ser cozidos para ficarem mais macios pois os peixes não os conseguem dígerir crus.

O CÂNHAMO - a semente mais utilizada é a de cânhamo, uma semente que possui em azeite um 35% do seu peso, que faz as delícias de muitas espécies de ciprinídeos, como o barbo, ou a carpa. O cânhamo ao ser cozido liberta um azeite que se pode considerar "afrodísiaco" devido al alto poder atractivo de esta semente, foi proibido o seu uso em competição em países como França, Inglaterra ou Bélgica devido à estraordinária diferença entre os pescadores que o utilizavam e os que não o faziam. Muitos pescadores entre os quais me encontro ao cozer o cânhamo guardam a água da cozedura para mais tarde molhar o engodo, o famoso azeite que liberta a semente ao cozer é um dos melhores métodos para atrair peixes ao posto de pesca. Para cozer o cânhamo bastam cerca de 20-30 minutos dependendo do tipo de cânhamo pois existe de vários tamanhos, saberemos que a semente está bem cozida quando se abre e saí da casca uma pequena língua branca.
O GRÃO - o grão é outro isco estrela, principalmente na pesca da carpa ou barbo, não deve ser usado em excesso pois é um isco de difícil digestão e os peixes fartam-se em pouco tempo. Pode ser usado como engodo ou no anzol, melhor utilizado um ou dois dias depois de cozer pois começará a frementar e aumentará o seu poder atractivo. O grão é um isco selectivo, que normalmente só nos dará capturas importantes, e por outro lado descartará os peixes mais pequenos da zona.
O AMENDOIM -  tal como o grão, o amendoim também é um isco selectivo devido à sua dureza mesmo depois de cozido. Um autêntico manjar para peixes de porte, qualquer barbo ou carpa que devido ao seu tamanho já tenha desenvolvidos os seus dentes farineos não deixará o pesqueiro enquanto houver um amendoim, para além disso o amendoim têm um segundo poder atractivo. O chamado efeito crocante, o peixe ao partir o amendoim provoca um ruído característico que atrairá qualquer outro que esté pela zona. Pode ser utilizado como engodo ou no anzol com o sistema "hair" tão típico na pesca denominada Carpfishing.
A ERVILHA - embora não seja tão utilizada como os outros é um isco fantástico se habituarmos os peixes com uma pré-engodagem, as ervilhas devido à sua textura não se podem cozer muito, pois a casca têm tendência a abrir-se. Qualquer "spot" de pesca que seja préviamente engodado com ervilhas será no futuro um excelente posto de pesca. É um alimento muito rico em calorias (90,70 kcal) por cada 100gr. O que produz nos peixes um estado de excitação na procura de mais alimento, isto junto ao facto de que é  um alimento de rápida digestão faz dela um isco maravilhoso.
A BATATA - desde tempos remotos este isco foi utilizado com grande êxito por pescadores de todo o mundo, a batata deve ser cozida ligeiramente, e tal como a ervilha engodar o posto de pesca durante vários dias pois são iscos que funcionam através do hábito. Deveremos cortar a batata em pequenos quadraditos de cerca de 1cm ou dois pois facilitará ao engodar e será o tamanho ideal para pôr no anzol, para além disso ao ficar a batata com esta forma evitará que seja arrastada  por qualquer corrente, facilitando assim a concentração dos peixes no lugar elegido.O principal componente da batata é a água, que supõe mais de uma terça parte da mesma, (77,5%). O resto da sua composição são lípidos (0,1%), glúcidos (19,4%), prótidos (2%), e cinzas (1%). A batata constitui um alimento bastante equilibrado mas com carência de fibra, vitaminas, cálcio e com uma quantidade escassa de proteínas, porém com uma fonte alta em hidratos de carbono, almidão e  potássio o que faz dela um excelente isco para carpas pois por mais que comam sempre estarão com fome devido à rápida digestão que a batata produz. Além disso é um isco voluminoso que chama muito a sua atenção.
O MILHO - sabias que o milho começou a ser cultivado como alimento há mais de 7000 anos? Foi intruduzido na Europa no século XVI e era um alimento básico na dieta dos Incas, Mayas e Astecas. Existem poucos alimentos no mundo com as propriedades do milho, e é talvez o único alimento do qual se aproveitam todos os seus componentes. Nutrientes do milho: 123 calorias, 4gr de proteinas, 25gr de hidratos de carbono, 3gr de fibra, 2,5gr de gordura polisaturada, 260mg de potásio, 240mg de betacaroteno e 38mg de magnésio. Tudo isto faz do milho um alimento de alto valor nutritivo e de fácil digestão, o que o transforma num isco fabuloso para a pesca de ciprinídeos. Talvez o mais famoso, possivelmente devido ao comódo que é como isco, pois hoje em dia qualquer superficie comercial possui latas de milho para múltiplos usos. Sempre cozido o milho é outro isco estrela devido às facultades que possui. O grão de milho têm uma pele relativamente dura o que permite lançar o isco a largas distâncias sem que se solte, são também bastante pesados e afundam com facilidade o que é muito ùtil para pescar em zonas de corrente. Outra propriedade do milho é que se pode impregnar com vários sabores e côres, existem no mercado vários aditivos para "fazer" milho vermelho, castanho ou outra côr ao nosso gosto com somente misturar o aditivo antes de cozer o milho. Eu no entanto penso que o que é natural é bom, e a melhor côr para pescar com o milho é mesmo a sua côr natural.
O QUEIJO -  a origem do queijo não é muito precisa, mas calcula-se que está entre o ano 3000 a.C e o ano 8000 a.C. Existem dados arqueológicos que demonstram a sua elaboração no antigo Egipto desde o ano 2.300 a.C. Foi na Suiça no ano 1815 onde se abriu a primeira fábrica de queijo para produção industrial.   Básicamente utilizam-se dois tipos de queijo, o Cheddar e o Camembert o primeiro devido a ser muito fácil de conseguir e maleavél e o segundo pelo poderoso aroma afrutado que desprende, um verdadeiro manjar para os barbos especialmente, embora também resulte bastante atractivo para carpas e tencas. Deve cortar-se em quadraditos como a batata e utilizar directamente no anzol, o Cheddar têm a particularidade de que no inverno fica bastante duro, para evitar isto, devemos derreter um pouco o queijo e amassá-lo com pão formando uma massa homógena que nos permitirá pescar sem problemas e o isco não perderá o atractivo.
O BOILLE: mundialmente conhecido o boille, não é outra coisa que um conjunto de várias farinhas que depois de amassadas e misturadas se cortam em pequenos pedaços para dar-lhes uma forma de bola de pequeno tamanho (como um berlinde). Denominada "boille" proveninente do inglês ferver (to boil) hoje em dia parece que não se pesca com outra coisa, todas as grandes capturas devem os seus méritos a este fabuloso isco. O boille tal como qualquer dos iscos antes descritos é um isco de hábito, o que quer dizer que se vais pescar com boilles a um pesqueiro no qual nunca se utilizou antes tens as mesmas possibilidades de pescar que com qualquer outro isco. É bastante normal na pesca denominada Carpfishing a pré-engodagem com 20-30kg de boilles antes da pesca própriamente dita. Ora claro está que se eu provoco um hábito nos peixes a comer boilles durante meses o peixe identificará essa bolinha como alimento e quando ele estiver no anzol não deixará de fazê-lo. Assim pois parece que o boille veio para ficar, embora para mim seja um isco mais a adicionar ao local e momento da pesca.

RECEITA PARA FAZER BOILLES: 
 1- 60 gr de caseinato de sódio, 60 gr de caseina, 60 gr de lactoalbumina, 30 gr de gluten, 30 gr de extracto de soja, 20 gr de sémola de milho, 15 gr de qualquer extracto em pó de morango, chocolate, baunilha ou outro ao nosso gosto e 10 gr de qualquer corante para dar côr ao nosso boille.

2 - Removemos todos estes productos até conseguir uma massa homógenea, depois da massa pronta, utilizando outro recipiente batemos 6 ovos com 3 ml de azeite, depois de batermos o conjunto juntamos a massa antes elaborada e batemos até conseguir uma pasta, a qual amassámos até conseguir uma boa consistência (se estiver demasiado pegajosa podemos pôr um pouco mais de caseinato de sódio) depois é só fazer bolinhas de 1 ou 2 cêntimetros de diâmetro e reboçar em farinha, para em seguida pôr uma panela com água a ferver e cozer as bolinhas durante 1,5minutos aproximadamente, ao cozer a bola ficará com uma "casca" que dará a dureza suficiente ao nosso boille, mas o seu interior continuará macio, para finalizar devemos escorrer os boilles e colocar sobre um pano ao al livre para que se sequem. Saberemos que os boillies estão cozidos quando començem a flutuar, nessa altura deveremos retirar os mesmos e pô-los a secar numa bandeija com rede para que possa secar-se de forma uniforme. 

Ou então fazem como eu, vão a uma loja de pesca e compram. Pois como já antes mencionei, o boille é um isco de hábito, e se no mesmo pesqueiro se engodar sempre com o mesmo boille mais tarde ou mais cedo a pesca sairá.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A CORVINA BRANCA - Atractoscion nobilis (Ayres, 1860)

FAMÍLIA: escienídeos

LONGEVIDADE:

PROFUNDIDADE: 0 - 122 metros.

COMPRIMENTO: 180 cêntimetros.

PESO: 40 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: Oceano pacífico desde Alaska até à Baixa Califórnia.
BIOLOGIA: este peixe é uma das numerosas espécies da familía dos escinídeos de grande interesse desportivo ao longo da costa do Pacífico da América do Norte. Durante a sua juventude desloca-se ao longo das praias fazendo pequenas incrusões em baías e estuários para alimentar-se. Mas o seu habitat favorito encontra-se em profundidades que rondam os 10-20 metros sobre fundos de rocha com grande abundância de algas, (as famosas laminárias onde se dedicam a caçar também os nosso queridos robalos)  também se encontram com bastante frequência em zonas consideradas surfistas, pois é um excelente caçador nas ondas, atacando as suas presas por sorpresa aproveitando o mimetismo que o seu corpo de tonalidades brancas lhe ofrece. Desloca-se sempre em cardume e é muito raro encontrar uma corvina branca solitária. A carne da corvina branca estraga-se com muita rapidez, por essa razão aconselha-se a consumir este peixe após a sua captura.
ALIMENTAÇÃO: peixes do seu habitat, chocos, lulas e polvos.

MÉTODOS DE PESCA: spinning, corrico, pesca embarcada, surfcasting.

RÉCORD IGFA: encontra-se em 37,980 quilos e foi capturada em San Felipe, México por Lyal Baumgardner.

                                                     HOMENAGEM AOS AMIG@S

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O PEIXE GALO - Zeus faber ( Linnaeus, 1758 )


FAMÍLIA: zenionídeos.

LONGEVIDADE: 12 anos.

PROFUNDIDADE: 0 - 400 metros.

COMPRIMENTO: 90 cêntimetros.

PESO: 8 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: mundial.
BIOLOGIA: um peixe estranho e belo sem dúvida, o peixe galo é uma espécie das consideradas exóticas devido à peculiar forma e cores que esta espécie possui. Vive normalmente junto ao fundo marinho em grandes profundidades, cerca dos 400mts embora também possa ser capturado em águas menos profundas. Com clara perferência por zonas onde abundem as rochas e algas é um peixe solitário, até na época do acasalamento. Quando se encontra em zonas em que o fundo é de lodo têm a particularidade de enterrar-se como se fosse uma solha ou linguado, em clara actitude de caça, pois assim sopreende qualquer sardinha ou arenque que passe pelas proximidades, é um peixe estremadamente voraz depois do acasalamento. A sua reprodução dá-se entre os meses de Maio e Agosto e em águas menos profundas, normalmente a uns 100 metros de profundidade. Como peixe desportivo é mais procurado pela beleza que possui e pela saborosa carne, que pela luta que dá. A lenda do Peixe galo, diz a lenda que na época da criação do mundo, existiam dois exemplares de um só peixe lindíssimo!!! E com tal muito vaidosos pela sua beleza e que Deus farto de tanta gaborolice, deu uma palmada a um, tornando-o feio e esborrachado, foi o pai de todos os tamboris. E ao outro esborrachou-o entre as mãos batendo palmas e dando origem ao pai de todos os peixes galo. Deus conseguiu mudar a sua forma, mas graças a "Deus" o sabor continua o mesmo.
ALIMENTAÇÃO: peixes do seu habitat, polvos, lulas e crustáceos.


MÉTODOS DE PESCA: surfcasting, pesca embarcada, jigging.
O VIDEO: a captura do peixe galo, neste caso com um carrete para preguiçosos. Utiliza-se devido ao facto que o peixe galo normalmente pesca-se a grandes profundidades.
RECORD IGFA: não existe record.

                                                   HOMENAGEM AOS AMIGOS

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O PICÃO EUROPEU - Stizostedion lucioperca (Linnaeus, 1758)

FAMÍLIA: percídeos.

LONGEVIDADE: 17 anos.

PROFUNDIDADE: 0 - 30 metros.

COMPRIMENTO: 100 cêntimetros.

PESO: 12 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: norte e centro de Europa; introduzido também na Europa ocidental.
BIOLOGIA: o picão europeu ou lucio-perca, também chamada zander na Grã-Bertanha, têm como presa habitual peixes pequenos como a brema, a acerina e a pardelha. Inicialmente encontrava-se apenas no Danúbio e norte da Europa, mas foi intruduzida para oeste, até à Inglaterra, e continua  a expandir-se lentamente. Gerou-se uma grande controvérsia em torno de algumas destas introduções, quando se culpou a esta espécie das reduções drásticas nas populações de peixes locais, mas em muitas das águas em que surgiu não parece ter causado problemas de maior. O picão desova na primavera, e inicío do verão, pondo grupos de ovos de um tom amarelo-pálido nas plantas, na areia ou nas pedras. As larvas eclodem ao fim de alguns dias e vivem à custa dos seus sacos vitelinos até que a sua dentadura se desenvolve e se possam alimentar sozinhos. Ao desenvolver os dentes começa a caçar pequenos alevins e larvas de insectos. A dificuldade na captura de um picão consiste em detectar a sua presença, pois são peixes que se movem nas capas mais profundas e somente na primavera (quando se reproduzem) é que se deslocam a capas mais superficiais, depois de detectar ou capturar um a pesca começa a ser muito divertida pois normalmente desloca-se em cardume e quando se pesca um picão se insistirmos no mesmo local provavelmente capturaremos mais de um. A sua picada para predador é muito subtíl, pequenos toques como se estive-se a provar um petisco, seguido de uma arrancada brutal, que infelizmente dura pouco, pois é um peixe que se cansa muito depressa, a questão é aguentar os nervos durante esses pequenos toques, o que normalmente não acontece, com a consequente perda do peixe. É um predador temível e oportunista que não desdenha um isco morto no fundo, facto aproveitado por muitos pescadores para capturar esta espécie com a famosa montagem dachkovitch. Embora o picão seja considerado um peixe de profundidade e que detesta a luz, a sua pesca normalmente pratica-se em dias nublados foram já capturados vários picões com amostras de superficie, o que vêm a demonstrar que toda teoria sobre a pesca sempre têm uma segunda leitura.
ALIMENTAÇÃO: qualquer ser vivo do seu habitat.


MÉTODOS DE PESCA: spinning, mosca, jigging, corrico, à bòia.
O VIDEO: a captura e libertação de um picão europeu.
RÉCORD IGFA: encontra-se em 11,480 quilos e foi capturado por Jurg Sherrer no lago Maggiore na Suiça, no dia 7 Junho de 2016.

                                                         HOMENAGEM AOS AMIG@S

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A PERCA EUROPEIA - Perca fluviatilis ( Linnaeus, 1758 )

FAMÍLIA: percídeos.

LONGEVIDADE: 22 anos.

PROFUNDIDADE: 0 - 30 metros.

COMPRIMENTO: 60 cêntimetros.

PESO: 4 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: desde Europa para o norte até à Escandinávia.
BIOLOGIA: a perca é um temível predador apesar do seu escasso tamanho, habita em lagos, ríos, ou barragens, adapta-se rápidamente a um novo habitat, seja este de águas paradas ou com corrente. Como todo predador, alimenta-se de práticamente de tudo o que possa encontrar no seu território, vive em cardume o que faz de este peixe um predador super eficiente, o seu comportamento em cardume foi muitas vezes igualado ao das piranhas embora seja menos agressivo neste sentido, pois só ataca para alimentar-se. Durante o seu estado juvenil alimenta-se de  pequenos invertebrados, insectos e larvas. Entre o 1-2 ano de idade o macho atinge a maturidade e já se pode reproduzir, as fêmeas demoram um pouco mais, entre o 2-4 ano de vida. Nessa altura já preda sobre pequenos peixes, rãs e outros animais de maior porte. A fase de namoro começa em fevereiro e termina a mediados de Junho, os ovos da perca europeia formam uma espécie de corda, que pode alcançar o metro de longitude, esta estrutura permite que esta longa corda de ovos tenha uma fácil aderência a qualquer tronco ou raiz submergida, o resultado de tão elaborado sistema verifica-se na taxa de natalidade da perca europeia, quase um 90% dos seus ovos fecunda. A pesca de este percídeo dá-se bastante melhor em dias de calor, pois a perca sobe à superficie para atacar os cardumes de peixes mais pequenos que caçam insectos na superficie, o material para pescar este peixe é idêntico ao que se utiliza para a pesca do achigã embora em tamanhos mais reduzidos devido à escassa dimensão da sua boca, durante o inverno devemos procurar as percas em profundidade, com jigs, de côr branca, amarela ou prateada.
ALIMENTAÇÃO: qualquer ser vivo do seu habitat.

MÉTODOS DE PESCA: spinning, jigging, mosca, corrico.

O VIDEO: a pesca da perca europeia conhecida nos E.U.A. como Jumbo Perch.
RÉCORD IGFA: encontra-se em 2,900 quilos e foi capturado por Kalle Vaaranen no dia 04/09/2010 em Kokar, Aland Islands em Filândia.

                                                         HOMENAGEM AOS AMIG@S

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A BICA - Pagellus erythrinus (Linnaeus, 1758)

FAMÍLIA: espárídeos.

LONGEVIDADE: ?

PROFUNDIDADE: 0 - 200 metros.

COMPRIMENTO: 60 cêntimetros.

PESO: 3 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: desde o Noreste do oceano Atlântico, passando por Noruega e Mediterrâneo.
BIOLOGIA:  a Bica para muitos é uma desconhecida, pois é um peixe que normalmente se captura por casualidade, um peixe lindíssimo a meu ver, pois as suas côres sempre em tons rosa e branco, são um verdadeiro espetáculo dentro e fora de àgua. O seu habitat encontra-se quase sempre em zonas mistas de areia e rocha em profundidades que rondam os 70-80 metros. Embora no inverno se desloquem a maiores profundidades. Para além da sua esplendorosa beleza a bica também dá uma grande luta e é uma verdadeira especialista em safar-se dos anzóis.  A picada da bica é bastante súbtil, pois tem o hábito de saborear ou brincar com o isco antes de tomá-lo, muitas são as bicas perdidas pelo nervosismo do pescador que fisga antes do momento, pois raras são as ocasiões em que a bica volta ao mesmo isco. As bicas são hemafroditas e nascem todas fêmeas, ao alcançar o seu segundo ano de vida, a natureza faz o seu trabalho e a transformação em macho dá-se com cerca de 17 cêntimetros, altura em que podem começar a procriar, (normalmente na primavera) neste sentido peço uma especial atenção para a libertação de todo aquele exemplar que não alcance esta medida. Só estaremos a pensar no nosso próprio futuro. A bica normalmente consegue safar-se do anzol, porque ao ser fisgada, depois de duas ou três investidas para o fundo, parece render-se e vêm para cima dócilmente, é neste momento que o pescador confiado comete o erro e começa a recolher a linha sem sentir qualquer esforço da parte do peixe. Ocasião esta em que a bica aproveita para pegar dois ou três cabeçadas e livrar-se do anzol.
 ALIMENTAÇÃO: pequenos invertebrados(anelídeos) crustáceos, moluscos e pequenos peixes.

MÉTODOS DE PESCA: pesca embarcada, jigging, surfcasting, à bóia.
VIDEO: a captura de uma bica à Portuguesa!!
RÉCORD IGFA: encontra-se 3,240 quilos e foi capturada por Geoff Flores em Monte Gordo (Algarve/ Portugal) no dia 19/05/1996.

                                                      HOMENAGEM AOS AMIG@S



sábado, 30 de julho de 2011

O NAMORADO - Pseudopercis numida ( Miranda Ribeiro, 1903 )

FAMÍLIA: mugíloidideos.

LONGEVIDADE: 30 anos.

PROFUNDIDADE: 0 - 300 metros.

COMPRIMENTO: 120 cêntimetros.

PESO: 30 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: sudoeste do Atlântico, Rio de Janeiro até à costa de Santa Catarina, Argentina, e também em Uruguay.
BIOLOGIA: habita águas profundas do recife continental, sobre fundos de areia, embora também possa ser encontrado em fundos mistos de rocha e areia. Com uma grande cabeça oval e uma peculiar mancha castanha atrás das guelras o namorado tem como côr principal o castanho salpicado de tons violeta no dorso. Uma boca grande de lábios grossos que termina à altura dos olhos, devido a grande longevidade que atinge a sua maturidade sexual só é alcançada com mais de 5 anos de idade.  Grande lutador e apreciado troféu não só pela fantástica luta que dá mas principalmente pela saborosa carne. A sua pesca é bastante fructífera durante todo o ano, porém é no verão a época em que se dão as maiores concentrações de esta espécie e portanto quando se conseguem as melhores e maiores capturas. Com hábitos carnívoros, costuma ser muito agressivo principalmente durante o dia que é quando caça. Uma antiga lenda Brasileira, identifica este peixe como o presente idóneo para a pessoa amada, diz a lenda que o pescador apaixonado quando capturava este peixe oferecia-o  à sua preferida e se o amor era mutúo ela cozinhava o peixe e convidava-o a jantar. Dando assim o começo ao namoro, diz a lenda que de aí vêm o nome de namorado.
ALIMENTAÇÃO: a base da sua dieta consiste em pequenos peixes, moluscos e crustáceos.


MÉTODOS DE PESCA: pesca embarcada, surfcasting, jigging.
VIDEO: a captura de um namorado.
RÉCORD IGFA: encontra-se em 22,200 quilos e foi capturado por Eduardo Baumeier no dia 7 de março de 1998 no Rio de Janeiro. 

                                                       HOMENAGEM AOS AMIG@S

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A PERCA DE LÁBIOS GROSSOS - Rhacochílus toxotes ( Agassiz, 1854 )

FAMÍLIA: embiotocídeos.

LONGEVIDADE: ?

PROFUNDIDADE: 0 - 46 metros.

COMPRIMENTO: 47 cêntimetros.

PESO: 2 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: América do Norte.
BIOLOGIA: perca da rebentação é o termo normalmente utilizado pelos pescadores, para definir os peixes que se capturam em essa zona, este é o caso da perca de lábios grossos. Esta família compreende 21 espécies, duas das quais habitam no Japão e na Coreia, das quais já comentarei mais tarde. As restantes encontram-se ao longo da costa do Pacífico da América do Norte. Encontra-se normalmente em fundos de rocha com mistura de areia, e junto a pilares de pontes ou outro tipo de construção que lhes possa dar abrigo. Desloca-se em cardumes salvo em raras ocasiões. O nome é sem dúvida o seu cartão de visita, nesta época em que a silicona é a rainha, é bonito ver que a natureza já se tinha adiantado à ciência à muito tempo. Como peixe desportivo é muito divertido, pois apesar do seu escasso tamanho as suas lutas são muito aguerridas, podemos comparar a sua luta à de um bom sargo que não exageramos nada. Os machos das percas usam as barbatanas anais para transferirem o esperma para as fêmeas, que dão à luz alevins vivos.
ALIMENTAÇÃO: a base da sua dieta, é muito variada e inclui algas, invertebrados e peixe. Para a sua pesca utiliza-se muito pedaços de peixe, caranguejo, camarões, amêijoas e mexilhôes.

MÉTODOS DE PESCA: surfcasting, bolonhesa, inglesa, e em raras ocasiões à mosca.

RECORD IGFA: não existe record para esta espécie.

                                                 HOMENAGEM AOS AMIG@S

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O JAÚ - Paulicea luetkeni (Humboldt, 1821)

FAMÍLIA: pimelodídeos.

LONGEVIDADE: ?

PROFUNDIDADE: 0 - 50 metros.

COMPRIMENTO: 200 cêntimetros.

PESO: 180 quilos.

DISTRIBUIÇÃO:  Ámérica do Sul , Bacia amazônica, Araguaia-Tocantins, São Francisco, Prata e em algumas bacias do Atlântico Sul.
BIOLOGIA: mais conhecido como Jaú, o Zungaro jahu é um bagre da bacia amazónica de enormes proproções. É considerado um dos maiores peixes de água doce, é um peixe de respeito, os combates com este mastodonte chegam a durar horas. O seu corpo é grosso e curto; a cabeça grande e achatada. A côr varia do pardo esverdeado claro a escuro no dorso, mas o ventre é sempre branco. No estado de alevín a jovem apresenta pintas claras espalhadas pelo dorso, muito parecidas às famosas manchas do leopardo. É uma espécie depredadora apesar do seu aspecto de peixe lento; vive normalmente no leito do rio, principalmente nos poços criados pelas cascadas, local perferido para caçar especialmente ao aproveitar a subida do rio de outras espécies na época da desova. No sudoeste do Brasil a sua carne é muito apreciada, porém o resto de pescadores o que procuram neste peixe é a magnifica batalha que proprociona quando fisgado. Embora seja um caçador, para a sua pesca é muito curioso verificar que o Jaú come melhor os iscos que estão no fundo, e em particular à noite. Obviamente é a excepção que confirma a regra, todos gostamos mais da comida fácil.
ALIMENTAÇÃO:  qualquer tipo de peixe do seu habitat, com uma clara preferência pelos curimbátas um pequeno characídeo. Também pode ser pescado com a famosa minhocuçu.

MÉTODOS DE PESCA: spinning, corrico, ao fundo, á bóia.

VIDEO: Fábio Fergona "Baca" em luta com um Jaú de uns 50 quilos.


RECORD IGFA: encontra-se em 49,440 quilos e foi capturado por Russell Jensen no dia 31/01/2004 no rio Urariqueira, Amazônia, Brasil.

                                                     HOMENAGEM AOS AMIGOS

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A PARDELHA DOS ALPES - Rutilus rutilus (Linnaeus, 1758)

FAMILIA: ciprinídeos.

LONGEVIDADE: 14 anos.

PROFUNDIDADE: 0 - 3 metros.

COMPRIMENTO: 50 cêntimetros.

PESO: 3 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: Europa.
BIOLOGIA: esta espécie de corpo largo e prateado possui olhos vermelhos, barbatanas peitorais avermelhadas, assim como as barbatanas pélvicas e anal e barbatana dorsal e caudal escuras. É das espécies mais populares entre os pescadores Europeus por ser muito comum e pela destreza necessária para a capturar. É um peixe gregário, como a maioria dos ciprinídeos forma grandes cardumes normalmente de peixes do mesmo tamanho, encontra-se com frequência em lagos e rios de toda Europa, com predominância de vegetação, pois também se alimenta de vários tipos de vegetação. Durante o inverno desloca-se para zonas de maior profundidade, reduzindo o seu metabolismo até meados de Abril. Época em que começa o cortejo, os seus ovos são amarelos e possuem uma seiva que lhes permite aderir-se a plantas e raizes até a sua eclosão. Apesar de não serem nada parecidas a Pardelha dos Alpes cruza-se com frequência com a Brema, dando origem a um híbrido entre esta duas espécies. Este híbrido porém já é fértil e pode acasalar com qualquer das duas espécies. A picada de uma pardelha dos Alpes é muito delicada e rápida.
ALIMENTAÇÃO: invertebrados, na pesca utiliza-se muito o asticot, o vert de vasse e pão françês.

MÉTODOS DE PESCA: á francesa, á inglesa, carpfishing e feeder.


VIDEO: paixão por um pequeno peixe.
RÉCORD IGFA: encontra-se em 3.520 quilos e foi capturada por John Bailey no dia 25/06/2008 em Norfolk Estate Lakes, Inglaterra.

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sábado, 18 de junho de 2011

O BORDALO - Squalius alburnoides (Steindachner, 1866)

FAMILIA: ciprinídeos.

LONGEVIDADE: ?

PROFUNDIDADE: 0 - 20 metros.

COMPRIMENTO: 13 cêntimetros.

PESO: 0,600 quilos.

DISTRIBUIÇÃO: Europa, ríos Sado, Douro, Guadiana, Odiel, Guadalquivir.
BIOLOGIA: o esguio e prateado bordalo é uma das espécies mais pequenas de grande valor para os pescadores desportivos, vive normalmente em cardumes em ríos e lagos. Peixe de comportamento gregário bastante voraz que pode fazer as delícias de um dia de pesca. A sua época de reprodução está entre Abril e Maio, deposita os seus minúsculos ovos entre plantas áquaticas junto à margem. Encontra-se em estado vulnerável devido ao estado em que se encontram as águas do seu habitat, é um peixe bastante delicado em questões de pureza das águas. Pertence à família do Alburnete do qual já fiz menção num articulo anterior, o bordalo é um dos peixes mais extraordinários dos nossos rios, sendo endémico da Península Ibérica, a sua origem é fascinante pois deve-se ao cruzamento de várias espécies entre as quais está o escalo. Todos os bordalos são fêmeas, para reproduzir-se necesitam o esperma de outro peixe que se chama escalo.
ALIMENTAÇÃO: todo tipo de invertebrados, larvas de insectos e pequenos crustáceos. Para a sua pesca utiliza-se normalmente o asticot, vert de vasse e pequenas minhocas de terra, ou moscas.


MÉTODOS DE PESCA: inglesa, francesa, bolonhesa ou mosca.


RECORD IGFA: encontra-se em 

CURIOSIDADES: todos os bordalos são fêmeas, para reproduzir-se necesitam o esperma de outro peixe que se chama escalo.

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