AMIGOS DE PEIXES DESPORTIVOS DO MUNDO

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

ISCAS ARTIFICIAIS

O ISCO DE MODA: sem dúvida!! Hoje em dia parece não existir outra forma de pescar, e tudo graças a um visionário chamado Lauri Rapala, de origen filandesa, que devido às penúrias que passava a sua família, por falta de recursos económicos, teve uma idéia que hoje em dia no mundo da pesca se considera como algo parecido ao descobrimento da energia eléctrica. Este pobre lenhador e pescador profissional que apenas tinha estes dois recursos para alimentar a sua família, um dia pescando verificou o movimento algo descentrado de um pequeno alevím, e a forma fulminante em que era engolido por um salmão no momento seguinte. Isto foi o que implusou a Lauri a desenhar e construir uma imitação daquele peixinho, pensando que se consegui-se imitar esse movimento poderia pescar mais peixes para a sua família. Ajudado com uma simples faca, talhou e poliu esse pedaço de madeira que daria origen à primeira amostra Rapala. Contam as histórias que Lauri Rapala era capaz de capturar mais de 250 quilos de peixe num só dia graças ao seu invento. Este invento provou ser tão bom que com o passar do tempo, não só pescava peixes, também começou a pescar...  pescadores dando origem a um império econômico imenso, e tudo começou com um pauzinho. Como sempre os ditados demostram ser sempre verídicos. " A necessidade é a mãe de todos os inventos".

O VIDEO: a história de Lauri Rapala.

Ora bem, a pesca com amostras tem tanto, mas tanto que se lhe diga que seria necessário um biblía para a poder arranhar a superficie deste mundo. Como tal, vou apenas expôr alguns dos modelos de  amostras consideradas mais importantes e tentar dentro do meu parco conhecimento falar um pouco delas.

SUPERFÍCIE: para a pesca em superficie existem vários modelos de amostras, e embora existam centenas de milhar de marcas, todas dizendo que a minha é a melhor. A verdade é que práticamente todas cumprem a sua função variando em pequenos detalhes como o preço, movimento ou as cores. Eu por exemplo dou mais importância à qualidade dos anzóis que leva dita amostra e ao movimento produzido por ela que às cores. Porém na pesca em superfície existem duas que destacam pela captura de peixes mais que provada.
O POPPER: as características de um popper são básicamente tentar imitar qualquer tipo de ser vivo que se desloque na superficie da água tal como rãs, ratos, pequenas tartarugas ou um peixe com dificuldades natatórias que, ao não conseguir manter-se no nível de água por ele elegido é forçado a subir à superficie. Para manejar un popper o ideal é recolher a amostra com pequenos tirões fazendo uma breve pausa entre cada tirão, é uma pesca pausada e imprópria para nervosos, o ataque normalmente sucede durante a pausa. Devido à forma da sua boca o popper ao deslocar-se pela superfície produz um ruído característico como pop, pop, de esse ruído vem o seu nome.

                                                   COMO MANEJAR UM POPPER

O PENCIL POPPER: o pencil é uma variação do popper, com a grande diferença que esta amostra pode ser utilizada de forma mais rápida e com movimentos mais agressivos, entre os quais se inclui o famoso "passear o cão" que consiste em imprimir à amostra um movimento em zig-zag utilizando a ponta da cana com pequenos e subtis toques. Esta amostra têm grandes seguidores no mundo marinho pela captura de peixes como a barracuda ou o jack, mas é igual de efectiva em água doce.

                                            COMO MANEJAR UM PENCIL POPPER

A MAROTA: a marota é a inovação portuguesa entre o pencil popper e o popper, para mim é uma amostra estrela, e não pelo facto de que seja portuguesa, mas porque é realmente efectiva. Para manejar a marota pode-se utilizar as duas técnicas, movimentos rápidos do pencil e movimentos lentos do popper, esta é uma das características que faz da marota uma amostra àparte. Esta amostra é uma velha conhecida de qualquer fanático do blackbass, e de alguns sabichões de água salgada, que conhecem bem o valor das capturas que esta "bazuca" consegue tirar fora de água. O efeito das hélices na água é simplesmente brutal, levantando peixes com uma agressividade incrível.

MEIAS ÁGUAS: aqui o surtido é ainda maior, o que em muitos casos faz a escolha quase impossivel, tal é a quantidade de amostras de meias águas que existe, as amostras de meias águas trabalham normalmente entre 1m de profundidade e 3 metros, entre as quais está a famosa rapala original, nestes acasos a escolha deve ser feita a pensar no tipo de peixe que vamos a pescar, pois todas elas tem um movimento parecido e normalmente o que destaca são as cores (para nós) ou as dimensões da amostra que existem em vários tamanhos embora trabalhem na mesma faixa de água. As amostras de meias águas têm quase todas um movimento lateralmente ondulante, tentando imitar um peixinho que nada com dificuldade, pode variar este movimento de uma marca para outra, mas básicamente é o mesmo movimento, alterado muitas vezes por pequenos pesos colocados no interior da amostra, à frente ao meio ou atrás. Este tipo de amostras imita peixes que se deslocam nas capas superficiais, um factor muito importante a ter em conta é precisamente o tamanho da amostra, dependendo da espécie que procuramos capturar. Estes são alguns exemplos deste tipo de amostras. Começando claro está pela mais famosa.
RAPALA ORIGINAL : esta pequena amostra é uma verdadeira legenda, passam os anos e continua a tirar peixes em qualquer lugar do mundo. Seja em água doce ou salgada. É a tipica amostra de meias águas, caracteriza-se quase sempre por um corpo estilizado, com um babeiro de dimensões reduzidas e com um movimento lateral muito nervoso, pode ser utilizada en recolhidas rápidas ou lentas com breves pausas ou toques de ponteira para animar o movimento tornando-a mais real. As amostras de meias águas também são fabricadas em modelos articulados, dividindo a amostra em 2 ou 3 secções, e como para gostos não está nada escrito, essa já será uma eleição pessoal.
RAPALA MAX RAP:  outro exemplo de amostra de medias águas é a Maxrap da rapala, uma amostra que permite lançar a grandes distâncias, outro factor a ter em conta na compra de uma amostra de meias águas, pois a maior distância recorrida maiores possibilidades de captura. A Maxrap é uma amostra de terceira geração, no interior do seu corpo possui umas bolas de tungsteno que ao efectuar o lançamento se deslocam para a parte posterior da amostra transformando-a em um míssel, cortando o ar de uma forma equilibrada primitindo grandes lançamentos, mesmo sem uma experiência prévia da parte do pescador.

PROFUNDIDADE: as amostras para trabalhar em profundidade, têm normalmente uma forma oval ou redonda o que as ajuda a afundar, possuem um babeiro de grandes dimensões que normalmente está ligado à profundidade que alcançam, quanto maior for o babeiro mais afundam.
No entanto existem outras com a mesma capacidade de pescar em profundidade, mas sem babeiro.

 São as chamadas Lipless (sem babeiro) estas amostras para além da evidente falta de babeiro também tem outra forma de fixação, e costuma ser na parte superior da amostra. São amostras mais lentas que normalmente possuem bolas de tungsteno no seu interior para provocar ruídos que atraem os peixes. Ao terem esta forma, o manejar destas amostras têm de ser feito com sabedoria, pois são amostras que se prendem muito fácilmente em qualquer obstáculo, devido ao facto de que o primeiro a entrar em contacto com o fundo são as suas fateixas. No entanto em mãos expertas são amostras que fazem a diferença naqueles dias que parece que eles não querem nada. 
Este é o caso da Rattlin da Rapala uma das primeira e que até hoje continua a demonstrar a sua efectividade, principalmente em zonas profundas junto a paredes ou para levantar esse achigã que se encontra a 6-8 metros de profundidade no inverno. O seu movimento em dentes de serra, é decisivo para peixes indecisos que não pretendem gastar mais energia que a necessária para alimentar-se.

CRANKBAITS: não se pode falar de crankbaits sem mencionar a famosa Hotlips de Luhr Jansen , outra amostra que marcou uma época e que continua a demonstrar hoje em dia que é uma máquina de pescar. Outra forma de utilizar as amostras de profundidade com babeiro é arrastar a amostra pelo fundo, golpeando o fundo com o seu enorme babeiro, este tipo de pesca é arriscado devido a que se pode prender a amostra, no entanto é muito eficiente. Para a pesca de peixes como o achigã, a lucioperca, ou o lucio no inverno é das melhores. É uma amostra rápida para bater terreno, técnica muito usada pelos profissionais americanos nos torneios para encontrar os peixes a capturar e passar mais tarde se necessário a outras técnicas como por exemplo os vinis, com todas as suas técnicas inventivas e eficazes.

Sei que a lista é curta, mas espero que seja suficiente para que possam ter uma idéia sobre este mundo tão amplio e complicado, porque embora muita gente utilize amostras para pescar, normalmente a sua técnica consiste em lançar e recolher como se se trata-se de uma chumbada, sem muitas vezes pensar na técnica adequada para cada amostra e tentar tirar o máximo partido de esse pedaço de madeira ou plástico.

Espero que tenham gostado, e que sirva de ajuda para poderem utilizar as vossas amostras com mais efectividade, e como se custuma dizer:

 "A AMOSTRA QUE MAIS PESCA, É A QUE PASSA MAIS TEMPO DENTRO DE ÁGUA."

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ÁGUA DOCE - ISCOS NATURAIS

Consideram-se iscos naturais todos aqueles que se podem utilizar para a pesca sem prévia preparação do pescador, este tipo de iscos é pouco utilizado devido ao facto de que normalmente não se encontram na loja de pesca e claro está, se têm de apanhar, o que hoje em dia com a comodidade a que nos habituam desde pequenos se faz cada dia menos. No entanto são a meu ver os melhores de todos os iscos pois são o que os peixes comem a diário no seu habitat.

Eu normalmente separo este tipo de iscos em dois: os animais e os vegetais. Penso sempre que, na pesca deviamos analizar o que comem os peixes quando nós não lhes damos de comer. Existem na natureza centenas de milhar de iscos que por comodidade, não se utilizam nos dias de hoje. Porém foram muito utilizados pelos nossos avôs com grandes satisfações.

ISCOS ANIMAIS:
O CARACOL - para quém já utilizou, saberá entender-me, para mim não há melhor isco para capturar um grande barbo ou carpa que um simples caracol, fácil de conseguir e simples de iscar. Claro está que devemos utilizar este isco, na época apropriada. O primeiro punto é verificar quando é que os peixes têm acesso a este tipo de alimento? Salvo raras ocasiões em que o caracol caí à água por qualquer acidente não é normal que ele lá esteja. Portanto devemos pensar em factores que poderiam levar os caracóis à água. Tempo de chuva, enchurradas, ribeiras ou rios que desbordam; esse é o momento idóneo para este isco. E os peixes sabem perfeitamente que nesse época existe um alimento mais no menú.  Porque a natureza é sábia, (nós nem por isso) porque não parámos de inventar iscos para pescar quando eles já existem. O caracol deve ser iscado inteiro (com casca) intruduzindo o anzol no interior do mesmo, convém utilizar anzóis de pata larga. Qualquer barbo ou carpa de boas dimensões partirá com facilidade a casca do caracol. Em Andalucía (Espanha) os pescadores utilizam este maravilhoso isco para pescar douradas!!! Sim; disse douradas, embora seja um isco tipíco de água doce, algum dia um "iluminado" decidiu iscar um caracol e o resultado foi uma dourada, hoje em dia é a coisa mais natural do mundo por essa zona ver como algum pescador isca um caracol para pescar douradas.
A LESMA - que repugnante, pensarão alguns!! No entanto os peixes não pensam assim, há séculos que a lesma faz parte da sua dieta. Com a lesma acontece o mesmo que com o caracol, exactamente a mesma época, durante a época de chuvas. A técnica mais eficaz é sem dúvida a chumbadinha, e deixar o isco descender suavemente pelo leito do río ou ribeira como se fosse arrastado pela corrente. Este tipo de isco sempre será aceite pelo peixe de um forma natural, pois estão habituados a comer estes alimentos, as picadas serão francas, decididas e a nossa adrenalina subirá como um foguete. A lesma deve ser iscada pela base girando o anzol no seu interior e extraindo a ponta pela parte posterior da lesma de forma a evitar que se prenda em qualquer obstáculo.
A LIBÉLULA - quem não teve a sorte de ver um achigã saltar fora de água para capturar uma libélula, não imagina o espetáculo visual que é. Este pequeno insecto é um verdadeiro manjar para o nosso amigo. A libélula deve ser utilizada na pesca da mesma maneira que a natureza a ofrece aos predadores, viva!! Qualquer peixe que veja uma pobre libélula a bater as suas asas desesperadamente na superfice, não hesitará. Um pequeno truco que eu utilizo é levar comigo uma bisnaga de supercola, basta uma gota na pata do anzol, para aderir sem problemas a libélula, o seu peso é suficiente para fazer um bom lance, mas se queremos lançar mais longe é só utilizar uma bóia de água, no entanto não aconselho muito esta técnica pois normalmente assusta o peixe.
O GRILO - somente encontro uma palavra para descrever este isco, fabuloso!!! Esse bichinho que muitas vezes não nos deixa dormir com o seu cântigo de acasalamento. É outro dos iscos que nos dará grandes capturas e sem gastar um cêntimo. Isca-se como a libélula com uma pequena gota de cola e a técnica de pesca é a mesma, claro que a imaginação não têm límites e que cada pescador o utilizará à sua maneira. Para capturar os grilos é tão fácil como utilizar uma garrafa de água de plástico, intruduzir na garrafa uma ou duas folhas de alface, fazer um buraco no chão de qualquer jardim e introduzir a garrafa de forma a que a boca fique ao mesmo nível do chão no dia seguinte (se ouver grilos na zona) de certeza que haverá capturas suficiente para uma jornada de pesca.

 A MINHOCA DA TERRA - REGRESSO ÀS ORIGENS

Sobre este maravilhoso isco, já escrevi anteriormente um largo articulo sobre todas as suas qualidades.
ISCOS VEGETAIS:
O FIGO - só de pensar neles alguns de nós ficamos com a boca em água. E se nós gostamos porque não os peixes?? Talvez já tenham reparado naquelas figueiras ali ao lado do rio ou lago, cujas ramas roçam timídamente a água. Imaginem a quantidade de peixes que espera ansiosos o momento da madurez, em que o figo cai para esse liquido elemento. Essa época é extraordinária para pescar com figos, todo o peixe que habita essa zona está habituado a comer figos, como algo natural, jamáis duvidará se é ou não um alimento!! O figo devido ao seu tamanho normalmente corta-se pela metade ou em quatro partes para poder iscar, aguenta muito bem no anzol e permite lances a larga distância. É um isco sublime especialmente em zonas donde abundem as figueiras, mas em qualquer outra zona de rio ou lago, é igualmente efectivo. Pois a famosa memória genética dos peixes vai reconhecer este isco como alimento mesmo que o peixe nunca o tenha visto antes.

 Nota do autor: Lembrem-se; os peixes não mudaram os seus hábitos de alimentação, nós é que mudamos a forma de os pescar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ÁGUA DOCE - ISCOS PREPARADOS

Utilizar um isco adequado é um dos segredos do êxito da pesca com cana, quer se esteja a pescar uma carpa num pequeno lago ou um espadim num oceano tropical. A variedade de iscos utilizados hoje em dia pelos pescadores é enorme. E fazer a escolha acertada requer um bom conhecimento, não só da dieta e dos hábitos alimentares dos peixes mas também do tipo de isco mais eficaz para a sua atracção. Os iscos podem dividir-se em três, básicamente os iscos preparados os iscos naturais e os artificiais. Mas a função de todos é enganar os peixes para que piquem o anzol.

Assim que dentro do meu pequeno conhecimento tentarei explicar da melhor forma possível alguns dos iscos utilizados para várias espécies em água doce.

O PÃO : o pão proprociona uma série de iscos diferentes que podem ser usados de várias maneiras. A côdea, devido à grande porosidade que possui flútua com muita facilidade e durante um largo periodo de tempo devido a isso pode ser arrastada, colocada no fundo ou acenada livremente na linha em lagos para a carpa, o barbo, a tenca, ou o olho verde ou a boga e em ríos para a pardelha dos Alpes ou para o escalo do Norte. O miolo pode ser usado para isco de anzol ou com engodo. Para o anzol o melhor é o que provém de uma fatia de pão realmente fresco, pois durará mais tempo devido à sua consistência húmida. Também pode ser transformado numa pasta se o misturarmos com água e se o amassarmos numa toalha porosa, dando origem a uma massa pegajosa ideal para aplicar no anzol e com grande poder atractivo para os peixes. É provavelmente o mais antigo dos iscos, e apesar de todas as inovações existentes continua a ser a base de muitos engodos e a exercer um poder atractivo sem igual na pesca em água doce. Além disso devido às suas propriedades existe a possibilidade de aderir ao pão um sem fim de sabores dependendo da necessidade. Existe já pão especialmente fabricado para a pesca, o famoso Pão Francés, embora este se utilize somente para pescar à boga, qualquer outro peixe também o comerá.
SEMENTES E GRÃOS: muitas sementes e grãos constituem umas partículas excelentes para utilizar como isco, mas todos eles devem ser cozidos para ficarem mais macios pois os peixes não os conseguem dígerir crus.

O CÂNHAMO - a semente mais utilizada é a de cânhamo, uma semente que possui em azeite um 35% do seu peso, que faz as delícias de muitas espécies de ciprinídeos, como o barbo, ou a carpa. O cânhamo ao ser cozido liberta um azeite que se pode considerar "afrodísiaco" devido al alto poder atractivo de esta semente, foi proibido o seu uso em competição em países como França, Inglaterra ou Bélgica devido à estraordinária diferença entre os pescadores que o utilizavam e os que não o faziam. Muitos pescadores entre os quais me encontro ao cozer o cânhamo guardam a água da cozedura para mais tarde molhar o engodo, o famoso azeite que liberta a semente ao cozer é um dos melhores métodos para atrair peixes ao posto de pesca. Para cozer o cânhamo bastam cerca de 20-30 minutos dependendo do tipo de cânhamo pois existe de vários tamanhos, saberemos que a semente está bem cozida quando se abre e saí da casca uma pequena língua branca.
O GRÃO - o grão é outro isco estrela, principalmente na pesca da carpa ou barbo, não deve ser usado em excesso pois é um isco de difícil digestão e os peixes fartam-se em pouco tempo. Pode ser usado como engodo ou no anzol, melhor utilizado um ou dois dias depois de cozer pois começará a frementar e aumentará o seu poder atractivo. O grão é um isco selectivo, que normalmente só nos dará capturas importantes, e por outro lado descartará os peixes mais pequenos da zona.
O AMENDOIM -  tal como o grão, o amendoim também é um isco selectivo devido à sua dureza mesmo depois de cozido. Um autêntico manjar para peixes de porte, qualquer barbo ou carpa que devido ao seu tamanho já tenha desenvolvidos os seus dentes farineos não deixará o pesqueiro enquanto houver um amendoim, para além disso o amendoim têm um segundo poder atractivo. O chamado efeito crocante, o peixe ao partir o amendoim provoca um ruído característico que atrairá qualquer outro que esté pela zona. Pode ser utilizado como engodo ou no anzol com o sistema "hair" tão típico na pesca denominada Carpfishing.
A ERVILHA - embora não seja tão utilizada como os outros é um isco fantástico se habituarmos os peixes com uma pré-engodagem, as ervilhas devido à sua textura não se podem cozer muito, pois a casca têm tendência a abrir-se. Qualquer "spot" de pesca que seja préviamente engodado com ervilhas será no futuro um excelente posto de pesca. É um alimento muito rico em calorias (90,70 kcal) por cada 100gr. O que produz nos peixes um estado de excitação na procura de mais alimento, isto junto ao facto de que é  um alimento de rápida digestão faz dela um isco maravilhoso.
A BATATA - desde tempos remotos este isco foi utilizado com grande êxito por pescadores de todo o mundo, a batata deve ser cozida ligeiramente, e tal como a ervilha engodar o posto de pesca durante vários dias pois são iscos que funcionam através do hábito. Deveremos cortar a batata em pequenos quadraditos de cerca de 1cm ou dois pois facilitará ao engodar e será o tamanho ideal para pôr no anzol, para além disso ao ficar a batata com esta forma evitará que seja arrastada  por qualquer corrente, facilitando assim a concentração dos peixes no lugar elegido.O principal componente da batata é a água, que supõe mais de uma terça parte da mesma, (77,5%). O resto da sua composição são lípidos (0,1%), glúcidos (19,4%), prótidos (2%), e cinzas (1%). A batata constitui um alimento bastante equilibrado mas com carência de fibra, vitaminas, cálcio e com uma quantidade escassa de proteínas, porém com uma fonte alta em hidratos de carbono, almidão e  potássio o que faz dela um excelente isco para carpas pois por mais que comam sempre estarão com fome devido à rápida digestão que a batata produz. Além disso é um isco voluminoso que chama muito a sua atenção.
O MILHO - sabias que o milho começou a ser cultivado como alimento há mais de 7000 anos? Foi intruduzido na Europa no século XVI e era um alimento básico na dieta dos Incas, Mayas e Astecas. Existem poucos alimentos no mundo com as propriedades do milho, e é talvez o único alimento do qual se aproveitam todos os seus componentes. Nutrientes do milho: 123 calorias, 4gr de proteinas, 25gr de hidratos de carbono, 3gr de fibra, 2,5gr de gordura polisaturada, 260mg de potásio, 240mg de betacaroteno e 38mg de magnésio. Tudo isto faz do milho um alimento de alto valor nutritivo e de fácil digestão, o que o transforma num isco fabuloso para a pesca de ciprinídeos. Talvez o mais famoso, possivelmente devido ao comódo que é como isco, pois hoje em dia qualquer superficie comercial possui latas de milho para múltiplos usos. Sempre cozido o milho é outro isco estrela devido às facultades que possui. O grão de milho têm uma pele relativamente dura o que permite lançar o isco a largas distâncias sem que se solte, são também bastante pesados e afundam com facilidade o que é muito ùtil para pescar em zonas de corrente. Outra propriedade do milho é que se pode impregnar com vários sabores e côres, existem no mercado vários aditivos para "fazer" milho vermelho, castanho ou outra côr ao nosso gosto com somente misturar o aditivo antes de cozer o milho. Eu no entanto penso que o que é natural é bom, e a melhor côr para pescar com o milho é mesmo a sua côr natural.
O QUEIJO -  a origem do queijo não é muito precisa, mas calcula-se que está entre o ano 3000 a.C e o ano 8000 a.C. Existem dados arqueológicos que demonstram a sua elaboração no antigo Egipto desde o ano 2.300 a.C. Foi na Suiça no ano 1815 onde se abriu a primeira fábrica de queijo para produção industrial.   Básicamente utilizam-se dois tipos de queijo, o Cheddar e o Camembert o primeiro devido a ser muito fácil de conseguir e maleavél e o segundo pelo poderoso aroma afrutado que desprende, um verdadeiro manjar para os barbos especialmente, embora também resulte bastante atractivo para carpas e tencas. Deve cortar-se em quadraditos como a batata e utilizar directamente no anzol, o Cheddar têm a particularidade de que no inverno fica bastante duro, para evitar isto, devemos derreter um pouco o queijo e amassá-lo com pão formando uma massa homógena que nos permitirá pescar sem problemas e o isco não perderá o atractivo.
O BOILLE: mundialmente conhecido o boille, não é outra coisa que um conjunto de várias farinhas que depois de amassadas e misturadas se cortam em pequenos pedaços para dar-lhes uma forma de bola de pequeno tamanho (como um berlinde). Denominada "boille" proveninente do inglês ferver (to boil) hoje em dia parece que não se pesca com outra coisa, todas as grandes capturas devem os seus méritos a este fabuloso isco. O boille tal como qualquer dos iscos antes descritos é um isco de hábito, o que quer dizer que se vais pescar com boilles a um pesqueiro no qual nunca se utilizou antes tens as mesmas possibilidades de pescar que com qualquer outro isco. É bastante normal na pesca denominada Carpfishing a pré-engodagem com 20-30kg de boilles antes da pesca própriamente dita. Ora claro está que se eu provoco um hábito nos peixes a comer boilles durante meses o peixe identificará essa bolinha como alimento e quando ele estiver no anzol não deixará de fazê-lo. Assim pois parece que o boille veio para ficar, embora para mim seja um isco mais a adicionar ao local e momento da pesca.

RECEITA PARA FAZER BOILLES: 
 1- 60 gr de caseinato de sódio, 60 gr de caseina, 60 gr de lactoalbumina, 30 gr de gluten, 30 gr de extracto de soja, 20 gr de sémola de milho, 15 gr de qualquer extracto em pó de morango, chocolate, baunilha ou outro ao nosso gosto e 10 gr de qualquer corante para dar côr ao nosso boille.

2 - Removemos todos estes productos até conseguir uma massa homógenea, depois da massa pronta, utilizando outro recipiente batemos 6 ovos com 3 ml de azeite, depois de batermos o conjunto juntamos a massa antes elaborada e batemos até conseguir uma pasta, a qual amassámos até conseguir uma boa consistência (se estiver demasiado pegajosa podemos pôr um pouco mais de caseinato de sódio) depois é só fazer bolinhas de 1 ou 2 cêntimetros de diâmetro e reboçar em farinha, para em seguida pôr uma panela com água a ferver e cozer as bolinhas durante 1,5minutos aproximadamente, ao cozer a bola ficará com uma "casca" que dará a dureza suficiente ao nosso boille, mas o seu interior continuará macio, para finalizar devemos escorrer os boilles e colocar sobre um pano ao al livre para que se sequem. Saberemos que os boillies estão cozidos quando començem a flutuar, nessa altura deveremos retirar os mesmos e pô-los a secar numa bandeija com rede para que possa secar-se de forma uniforme. 

Ou então fazem como eu, vão a uma loja de pesca e compram. Pois como já antes mencionei, o boille é um isco de hábito, e se no mesmo pesqueiro se engodar sempre com o mesmo boille mais tarde ou mais cedo a pesca sairá.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MAR - COMO LOCALIZAR PREDADORES

Localizar predadores na imensidade do mar não é tarefa fácil. Muitas vezes bastante complicada se não existem umas referências minimas pelas quais nos podemos guiar. Sem saber interpretar (ler) o mar toda essa imensidão de água nos parecerá igual. A maioria de pescadores que praticam o Spinning encontram-se quase sempre com esta dúvida. Para mim, e sem querer presumir de sábio, pois a minha ideia ao escrever estas linhas é somente a que me ensinou o meu pai. "Sempre que compartes, aprendes". Com estas palabras com base pretendo comentar um pouco a experiência que ganhei vivendo ao lado do mar.
AS CORRENTES MARINHAS: para mim, um dos factores mais importantes, e que muitas vezes não lhes damos o devido valor. O mar em sí é uma enorme massa em constante movimento, pela influência das marés. A geografia do fundo actúa sobre essa massa de uma maneira ou de outra dependendo de uma barreira rochosa ou um salto de profundidade. Fazendo aumentar a sua velocidade ou diminuir, dependendo da geografia do fundo. Podemos identificar fácilmente estas zonas (lendo) a superficie do mar, reconhecendo as zonas onde a água está mais tranquila e as zonas onde acontece o contrário com a segurança de que sabemos porque razão o mar se comporta assim em determinadas zonas, para muitos pescadores essa é a diferença entre pescar e andar todo o dia a lançar queixando-se da sua má sorte.
Essa simples questão, pode fazer variar a côr da água e com essa variação de côr, também varia o comportamento dos peixes presentes nessa zona, zonas de espuma, zonas de corrente com água cristalina, zonas de remoinhos, zonas de calma. Todos estes factores são os que nos podem indicar onde estão os peixes, pois apesar de que muita gente pensa a pesca (para mim) não é uma questão de sorte. Existe sempre um factor determinante que faz com que um pescador pesque e outro não.
Estas correntes marinhas para os peixes são o que nós chamariamos (cintas transportadoras de comida) existem correntes pequenas e outras que são verdadeiras autoestradas que percorrem km. Dentro destas correntes encontram-se milhões de microorganismos e restos orgânicos que claro está atraem uma multidão de espécies que delas se alimentam, aumentando a cadeia alimenticia até chegar à nossa parte favorita. Os predadores, toda a gente sabe que na natureza o que não come é comido e nestas autoestradas abundam peixes como cavalas, bogas, carapaus, liças, e  uma infinidade de peixes que normalmente são o alimento diário das nossa espécies favoritas, tais como anchovas, robalos, corvinas, palmetas, lírios etc. Em muitas ocasiões estas correntes não são só, uma fonte de alimento, também servem de meio de transporte para os alevins de uma infinidade de peixes que as utilizam para deslocar-se com o menor esforço a outros territórios.

AS AVES MARINHAS: são excelentes indicadores da existência de predadores na superficie, tal é a importància que estas aves têm que muitos barcos que se dedicam à captura do atún, utilizam radares que captam grandes concentrações de aves, a várias milhas de distância porque sabem que se existe uma grande concentração de aves é porque há peixe na zona de certeza. Pois a defesa mais prática dos alevins e pequenos peixes ao sentir-se atacados é formar uma bola e ascender à superficie. Estes cardumes são visiveis do céu e as aves marinhas são autênticos sentinelas aeréos que detectam na superficie qualquer mudança do seu estado natural.
AS MUDANÇAS DE TONALIDADE: a agitação do mar, provocada pelas correntes, ondas, vento, mar de fundo ou uma barra (saida de um rio no mar) provoca muitas vezes a mudança de tonalidade das águas devido a uma acumulação de matéria em suspensão, já seja lodo, ou barro traido pelos rios ou mesmo areia. Estas manchas de água turva com o tempo vão-se deslocando à deriva por acção do vento e das marés e claro está das correntes. Estas zonas são procuradas pelos alevins e peixes de menor tamanho pela facilidade de encontrar alimento e sentir-se seguros ao mesmo tempo.  Nas barras normalmente esta diferença de tonalidade é permanente, por essa razão a concentração de peixes nessa zona é sempre tão alta. Devido a esta linha divisória entre a água clara e a turva, os predadores encontram um paraiso para poder atacar as suas presas sem ser vistos, patrulhando estas zonas incansavélmente.
OS BARCOS DE PESCA: ao ver passar uma traineira, um arrastão ou qualquer outro barco de pesca, talvez não todos pensemos que debaixo dessa esteira de espuma que o barco deixa estão perdadores. A limpeza das redes de pesca de peixes pouco comerciais ou sem medida que não se poderão vender na lota, são atirados ao mar durante a viagem de regresso, deixando claro está um banquete para os predadores que poderão encher a barriga com o menor esforço, e a primeira regra de qualquer predador é ser opurtunista. A larga distância poderemos verificar se o barco em questão está a limpar as redes pois normalmente estará rodeado de centenas de gaivotas e outras aves marinhas que também querem a sua parte do festim.
OS PEIXES GUIA: que diversas espécies se sirvam de outras para encontrar alimento é um facto consumado, tanto na terra como no mar. Muitos mamiferos marinhos costumam ir acompanhados de predadores que aproveitando o sistema de ecolocalização destas espécies as utiliza como guias para encontrar o seu próprio alimento. A mais conhecida e explorada pela pesca comercial é a do caso dos golfinhos e dos atúns, concretamente da espécie de barbatana amarela. Está demostrado que estes peixes utilizam as suas capacidades para detectar grandes cardumes de peixes, por isso se verificamos que existe um cardume de golfinhos poderemos quase afirmar que debaixo de estes se encontra um cardume de atúns.
OBJECTOS FLUTUANTES: os alevins de diversas espécies utilizam de forma instintiva qualquer objecto flutuante como abrigo para esconder-se dos seus predadores e encontrar alimento, que normalmente está pegado a este em forma de larvas, ou outros microorganismos. Este tipo de objectos podem ser por exemplo qualquer barco atracado ao porto vários meses sem ser movido, pedaços de madeira flutuando no mar ou grandes camadas de algas que devido às marés vivas são arrastadas para o alto mar. Alguns de estes predadores como por exemplo o Dourado, sabe que estas coberturas são autênticas geleiras, e  normalmente escondem-se debaixo de estas à espera do peixinho que vai à procura de alimento ou abrigo. Este fenómeno está hoje em dia muito bem explorado por diversas companhia de pesca industrial que utilizando estes conhecimentos cobrem estensas zonas com plataformas à deriva (mas bem sinalizadas) para atrair estes predadores, é o caso por exemplo das plataformas para capturar atúns. Se encontrares durante o dia de pesca algum destes exemplos, não dúvides e lança, em último caso só perderás um lance, e por outro lado podes acabar com um sorriso de orelha a orelha.
A ARMA SECRETA: perspicácia, sempre que nos vamos a enfrentar a um dia de pesca normalmente pensamos em uma espécie em concreto. Claro está que é bastante conveniente conhecer a sua biologia, costumes, habitat e dar-lhe bastante à imaginação. A titulo de exemplo, uma mania que costumam ter quase todos os pescadores (incluido eu) é o caso do Robalo, quase sempre associamos o robalo com a espuma, rebentação e vamos sempre à procura de esta espécie neste cenário, o qual é certo mas a minha opnião é que não nos devemos limitar a essa ideia. Os predadores salvando as suas difererenças, têm de procurar o alimento onde esté e se este não se encontra na rebentação, claro está que o buscaram em outros sitios, suponho que como já aconteceu comigo o que vou contar já aconteceu com muitos amantes da pesca, (...  um dia passeando com o meu filho, por um molhe qualquer, ele muito excitado chama-me, dizendo que tinha visto uma liça enorme, explicando com os braços abertos de par em par o tamanho colossal do peixe, claro que a minha reacção foi dizer que não havia liças desse tamanho, ele insiste e praticamente arrastando-me leva-me ao sitio onde viu a tal liça, e efectivamente era verdade. Mas não era uma liça e sim um robalo descomunal, sem exagerar que é o que normalmente fazemos deveria estar entre os 6-7 kg, fiquei logo com a boca seca a pensar porque raios é que não tinha uma cana de pesca, e que isto só me acontecia a mim...) este caso acontece com mais normalidade do que muitos pensamos, pois como qualquer predador o robalo procurava mimetizar-se com as liças devido à semelhança que têm com esta espécie. Mas o mais interessante é que este robalo tinha o mesmo comportamento que o cardume de liças, seguindo o cardume com a mesma velocidade e a mesma direcção em que se deslocava, outra actitude de caça estratégicamente pensada. Suponho que cuando chegasse o momento, este robalo atacaria de maneira imprevista qualquer liça mais jovem que distraidamente lhe passase pela frente. 

Penso que na pesca como na vida, não devemos nunca parar de evoluir, e sempre que nos seja possivel libertar, porque o que libertamos hoje poderemos pescá-lo amanhã muito maior. Espero que estas palavras sirvam para ajudar a algum futuro amante deste desporto tão belo que é a pesca desportiva.


quarta-feira, 24 de março de 2010

A MINHOCA DA TERRA - REGRESSO ÀS ORIGENS

 Muitas vezes penso; nesta época de modernização massiva onde a palavra de ordem é inovar, lanço a vista atrás aos meus anos de moço com uma cana-da-india na mão sem mais preocupações que tentar divertir-me pescando algum peixe que se deixa-se enganar pela espetácular minhoca da terra que apanhava num abrir e fechar de olhos lá no quintal. Nessa época não existiam os técnicísmos de hoje em dia, não havia "poppers", "spinnerbaits", "buzzers", enfim, toda essa quantidade indescritivel de amostras, que existem hoje em dia. E pescava, aí se pescava!!! Era cada "bicho", e tudo graças à paciência e à famosa minhoca da terra. E pregunto eu? Porque razão hoje em dia não se pesca con ela? A imagen posterior é da minhoca mais grande que existe, a minhocuçu,(Megascolides australis) da América do Sul. 
Pensando nestas questões, resolvi escrever este pequeno artigo alabando as virtudes da nossa esquecida amiga, que como a mim deve ter dado muitissimas alegrias a muitos de vós. Minhoca da terra é como normalmente chamamos a espécie de anélidos que habitam o subsolo da nossa terra, sem falar claro está na incrivel quantidade de minhocas que existem no litoral. Começarei por apresentar-vos a Minhocuçu (Rhinodrilus alautus) uma verdadeira obra prima da engenheria genética, esta "pequenina" originária do Brasil chega a atingir o metro de comprimento e 2 cm de circunferência ou mais, imaginam as maravilhas que produziria um bichinho destes num anzol. Embora seja um animal de gigantescas proproções para a sua espécie situa-se cerca da superficie, normalmente junto às raizes das graminías, e é muito importante para o solo porque produz grande quantidade de hùmus. Geralmente têm uma cor negra mas pode passar a avermelhado ou acastalhado. As caracteristicas na vida deste anélido estão intimamente ligadas ás épocas do ano. A partir de Março entram em estado de hibernação, numa cavidade que pode medir entre 20 a 40 cm, à qual se chama vulgarmente "panela". Esta é a melhor época para a sua captura visto que estão imóveis. A região de Caetanopólis localizada a 100 km da capital mineira Belo Horizonte é o polo da existência destes animais que estão ameaçados de extinção pela busca de exemplares para pescar.
Nós não possuimos esse mágnifico animal, pórem existem várias espécies fáceis de adquirir que produzem os mesmos efeitos entre os nossos tão admirados "troféus". A milhoca de anilhas: é a mais dificil de encontrar, as suas principais virtudes encontram-se em dois factores estão cheias de um liquido amarelo, riquissímo em aminoácidos que liberta com o mais leve pelisco e têm uma resistência incrível. Normalmente encontram-se debaixo dos montes de estrume, possivelmente daí vêm a dificuldade de encontrar este tipo de minhocas.

A minhoca comum: encontra-se em qualquer zona húmeda que não receba o sol directamente durante demasiadas horas, e em qualquer época do ano. Têm um tamanho médio de 6 cm, feita há medida para o mais comum dos anzóis.


A minhoca verde: é uma variante da minhoca comum encontra-se na primeira capa de terra que existe em zonas próximas a rios ou lagos, devido ao facto de que estas zonas normalmente contém pedras ou troncos estas minhocas são bastante "musculosas" até ao ponto que ao iscar convém "travar" os seus movimentos com uma folha ou qualquer outro invento para que não se escapem do anzol. Nas zonas onde vivem e principalmente durante a época de chuvas têm um efeito devastador sobre os barbos.

Como guardar: seja qual for o tipo de milhoca a sua manutenção têm de cumprir duas normas básicas, o grau de húmidade e a sua alimentação. A segunda norma só é necessária quando as queremos manter mais de 15 dias, que em tal caso seria suficiente, misturar na terra cascas de batata, ou pedaços de fruta. Se pretendemos que estajam brilhantes, no dia anterior há pesca devemos salpicar a terra com uma ou duas colheres de sopa com açúcar. No caso da húmidade devemos estar mais alertas, pois demasiada húmidade acabaria com elas, assim que se verificamos que a terra está "empapada" devemos antes de guardar as minhocas num recepiente, colocar essa terra em vários jornais ou qualquer outro papel absorvente de maneira a eliminar o excesso de líquido.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O ASTICOT - Um isco revolucionário

Verme!!! Embora esta palavra que para nós meros mortais seja sinónimo de algo desagradável para os peixes o adjectivo é completamente diferente. Suponho que hoje em dia já ninguém cultiva os seus asticots, mas em tempos passados era o mais normal, deixar apodrecer um pedaço de carne ou peixe, até ser invadido pelas benditas moscas verdes, que mais tarde nos deixavam esse presente em forma de larva a que chamamos asticot. Magnifico isco seja para água doce ou salgada.
O asticot passa por 3 fases básicas, a larva, o cáster e a mosca, no caso de que este éclosione. As formas de uso na pesca vão desde o simples facto de atirar o asticot solto á agua até formas mais elaboradas como junto ao engodo ou encolados e obviamente no anzol. Podemos encontrar no mercado vários tamanhos de asticot, o "normal", o pinkie que resulta ser muito mais pequeno e é utilizado normalmente na pesca de peixes de menores dimensões como pardelhas, bogas etc, e que se utiliza muito em competição. Outra das grandes virtudes do asticot reside no facto de que adquere a côr dos alimentos por ele ingeridos, assim que se pretendemos pescar com asticot de cor vermelha por exemplo, somente devemos deixá-los durante um dia ou dois dependendo da rapidez com que se alimentem em farinha com qualquer tipo de aditivo dessa côr.
LANÇÁ-LOS SOLTOS: não existe; sem dúvida nenhuma outro isco animal que seja capaz de provocar nos peixes, reacções tão rápidas e satisfatórias, como um punhado de asticot caindo na superficie, o rúido característico do asticot caindo na água funciona como uma campainha que chama para o almoço, mesmo se o sitio não está pescado. Segundo as leis de Pavlov de que os reflexos condicionados podem ser provocados em qualquer animal durante um certo periodo de tempo. Devido ao facto de que qualquer animal é capaz de identificar um ruido com o alimento que dele provém como é o caso. Por experiência pessoal comfirmei em várias ocasiões que depois de efectuar uma engodagem continuada com asticot, se no intrevalo atirava á água um punhado de areia, os peixes acudiam de igual maneira devido ao som provocado por ela ao chocar com a superficie. Como todas as técnicas atirar os asticots soltos têm as suas vantagens e desvantagens, porque se por exemplo o pesqueiro possuir correntes, estas obviamente vão arrastar os asticot para fora do lugar que escolhemos para a pesca e consequentemente os peixes que estarão no pesqueiro. Por esse motivo é muito importante a eleição do pesqueiro e a estratégia de pesca.
LANÇÁ-LOS COLADOS: existem no mercado diferentes tipos de cola (para mim a Arábica é a melhor) que nos premitem realizar esta técnica que para mim é das mais frutíferas, devido ao facto que conseguimos colocar os asticot na aréa por nós elegida com uma minima margem de erro. Estas colas normalmente são em pó, com o qual somente devemos humedecer os asticot com qualquer spray (os que se utilizam para as plantas são perfeitos) para em seguida polvorear o nosso isco removendo-os até verificar que formam uma bola consistente, estas bolas não devem ser maiores que uma bola de golfe, pois se realizamos um mau lançamento, não se perderá muito e não arruinaremos o pesqueiro. Em sitios com corrente, tais como rios podemos dar ás bolas a forma de uma bolacha, que fará com que se pegue ao fundo oferecendo menos resistência á corrente e assim evitaremos que seja arrastada para longe do pesqueiro.
LANÇÁ-LOS NO ENGODO: esta é provávelmente a forma mais tipica de utilizar os asticot, somente devemos assegurar-nos de que só juntemos os asticot ao engodo no momento do seu lançamento, pois são animais extremadamente enérgicos e se realizamos a confecção de uma bola de engodo com os asticot e não a lançamos imediatamente o mais provável é que quando o fizermos já não contenha asticot, pois são excelentes em fabricar buracos por onde escapar. Este tipo de engodagem é uma verdadeira "bomba" pois ao chocar contra o leito a bola normalmente parte-se libertando os asticot que sobem pouco a pouco à superficie devido ao ar que se encontra nos seus corpos, provocando um autêntico frenesi nos peixes que se encontrem presentes.
COMO CONSERVAR: o processo de envelhecimento dos asticot é imparável, porém utilizando certos cuidados podemos ralentizar esse facto. A melhor medida para evitar isto é evitar a humidade e o calor que nos seus corpos funciona como uma estufa, acelerando a sua metamorfose para passar a cáster. O meu conselho é tão simples como eficiente devemos possuir um recipiente amplio e hermético donde colocaremos serradura (suficiente para cobrir todos os asticot), e colocá-los na geleira junto à parte menos fria (geralmente donde estão as verduras). Isto fará com que o seu metabolismo descenda o que por conseguinte atrasará o seu envelhecimento. Nestas condições uma "dose" de asticot pode durar em prefeitas condições mais de um mês.


Espero que apesar de curtinho este artigo seja o suficiente para os que ainda não conhecem ou dominam a técnica de pesca com asticot e assim poder abrir novos horizontes a este mundo fantástico da pesca.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LER A ÁGUA - O LITORAL


Ao contrário das águas afastadas da costa, que só se podem inspeccionar através do estudo de cartas marítimas e por sistema de ecossondagem, normalmente é possível fazer um levantamento directo das zonas de costa com interesse para a pesca. À primeira vista, toda essa imensa massa de água parece igual, porém ao apurar a nossa visão sobre a costa, podemos verificar pequenas diferenças na ondulação, tais como espuma, o tamanho das ondas, ou correntes inversas provocadas por rochas submersas. As costas variam em muitos factores, sendo o mais óbvio o tipo de substrato, que pode ser de areia, cascalho, rochas ou o conjunto dos três. Assim, dependendo da espécie que buscamos, o tipo de substrato tem muito a dizer. As diferentes espécies de peixes têm preferência por um tipo de substrato ou outro, seja pela quantidade de alimento existente ou pelos esconderijos proporcionados por esse tipo de substrato, a inclinação da costa ou ainda pela presença de correntes de água doce.
AS PRAIAS ARENOSAS: o tamanho das partículas existentes numa praia influencia o tipo de organismos existentes dos quais os peixes se alimentam, e consequentemente as espécies de peixes que deles se alimentam. Partículas finas com grandes quantidades de matéria orgânica sao propícias para a minhoca da areia, o berbigão, ameijoa ou camarões.
Qualquer ondulação numa praia deste género atrai os peixes pois ao ser um sedimento leve, move-se com facilidade deixando à vista todos esses tesouros ocultos na forma de alimento. As praias de areias mais grossas, que assentam rapidamente, estão com frequência associadas a praias de rebentaçao, onde os robalos, solhas e rodavalhos são presa fácil quando se proporcionam condições adequadas. Uma ligeira inclinação ajuda o vento a criar uma boa rebentação pois a fricção entre o leito do mar e a água reduz a velocidade da onda, fazendo com que a crista a ultrapasse e enrole, produzindo assim mais rebentação. Isto acontece com mais frequência em águas superficiais que em profundas. Assim sendo, uma praia que normalmente tem muita rebentação, provavelmente contém bancos de areia e fundões.
AS PRAIAS DE CASCALHO: as praias de cascalho dão a impressão de estarem desprovidas de vida, mas nada mais longe da realidade. O cascalho que pode ficar amontoado por acção das ondas é somente a capa superficial dessa praia. Por debaixo desse amontoado de pedras, existe uma complexa mistura de vários substratos, por vezes incluindo argila e leitos de turfa no nível inferior da água ou para além deste. Nas praias de cascalho, a zona mais produtiva situa-se normalmente abaixo do nível inferior da água, onde o cascalho dá lugar a gravilha e areia fina. Todo esse amontoado de pedras é o esconderijo perfeito para muitos seres vivos tais como: camarões, caranguejos, lapas, ouriços-do-mar, etc. São o habitat preferido de peixes como o robalo, o safio, o sargo e a dourada. Observando indícios de bancos submersos que provocam variações no padrão normal da ondulação para além do nível inferior das aguas, podemos descobrir "canais" de passagem que os peixes utilizam com regularidade para se dirigir à praia (caneiros).
PENHASCOS: o principal atractivo deste sector da costa é a existencia quase permanente de água, em determinadas ocasiões com muita profundidade. Este factor permite aos peixes permanecer durante longos períodos de tempo no mesmo lugar, visto sentirem-se protegidos e existir uma grande abundância de alimento ( florestas de algas para o bodião, rochas quebradas para o safio e sargo, pináculos para o badejo, solos desobstruídos para a raia, o tubarao perna-de-moça e peixes chatos como a raia). Aconselha-se no entanto extremo cuidado ao pescar nestes sítios, pois as pedras com a água das ondas ou a própria chuva (se se der o caso) transformam as rochas em autênticas pistas de patinagem. Sao essenciais umas boas botas de montanha, uma corda e a companhia de alguém de confiança. Infelizmente, todos os anos alguns pescadores esquecem-se que a melhor pescaria é aquela que tem regresso.
PORTOS E MOLHES: são o típico cenário "familiar" devido a facilidade de acesso e ao facto de se encontrarem normalmente perto de cidades ou de centros urbanos, o que permite a quase todo pescador aceder a eles duma forma quase rotineira, quando não existe outro "plano".
São talvez o centro nevralgico de quase todas as espécies presentes na costa, devido à imensa quantidade de alimento que contêm (lugar habitual de limpeza de redes de pesca das traineiras, arrastões e vários tipos de barcos que se dedicam à pesca). São portanto lugares privilegiados para a pesca. A maior parte dos molhes ou pontões são construídos sobre bases naturais de rocha, que atraem uma vasta gama de alimentos e de peixes. Estas bases são normalmente ricas em caranguejos, camarões e pequenos peixes que utilizam essa estrutura para se protegerem. As tainhas percorrem estas estruturas em busca de microorganismos para se alimentarem e predadores como o robalo, a anchova, o lirio ou a corvina estão presentes devido à abundãncia de presas. Também se encontram presentes os sargos, safios, moreias, e outras formas de vida marinha como as navalheiras, santolas, polvos e chocos.
ESTUÁRIOS: num estuário típico, o rio cria uma coluna de água doce que se estende até ao mar, penetrando na água salgada. Forma-se então uma zona de água salobra onde as duas se encontram e se misturam. A dimensão desta zona depende de muitos factores como por exemplo: o tamanho do estuário, a maré ou a quantidade de água doce que entra. O principal factor que determina as espécies de peixes que entram num estuário é a salinidade. Os peixes que toleram uma salinidade baixa, tais como a tainha, entram sem dificuldades num estuário, deslocando-se muitas vezes até à própria água doce. Muitas espécies migratórias tais como o salmão, percorrem os estuários como via para completar o seu processo de crescimento no mar e voltarem já adultos para a reprodução. A geografia dos estuários e a existencia de alimento, são os factores principais que determinam onde é mais provável encontrar os peixes, prestando especial atenção aos locais onde a curvatura dos canais cria zonas de fluxo lento, a obstáculos que criam remoinhos parados e baías superficiais sobre as quais se processa a enchente, oferecendo áreas de águas tranquilas. As depressões e os buracos existentes nestas áreas tranquilas possuem a vantagem acrescida de serem pontos de encontro para alimentos trazidos pela corrente. Além das tainhas, encontram-se normalmente em estuários o robalo, a corvina, a solha e o linguado, para além de milhares de pequenos peixes em estado de desenvolvimento, tais como sargos, peixe-rei, bogas, sardinhas, cavalas, linguados e pequenas garoupas que neles encontram refugio e alimento.

Embora seja um resumo, espero que seja suficiente para se ter uma ideia aproximada dos pequenos segredos que nos esconde o litoral e a forma de pescar com mínimas garantias de êxito.


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Amante incondicional de la naturaleza y la pesca deportiva. Los blog´s que escribo tienen como finalidad ayudar a cualquier pescador presente y futuro a enamorase de la pesca y respetar el medio ambiente. No hesitéis en escribir a preguntar lo que sea sobre estos temas que en la medida de lo que sepa, os ayudaré.

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