AMIGOS DE PEIXES DESPORTIVOS DO MUNDO

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ÁGUA DOCE - ISCOS PREPARADOS

Utilizar um isco adequado é um dos segredos do êxito da pesca com cana, quer se esteja a pescar uma carpa num pequeno lago ou um espadim num oceano tropical. A variedade de iscos utilizados hoje em dia pelos pescadores é enorme. E fazer a escolha acertada requer um bom conhecimento, não só da dieta e dos hábitos alimentares dos peixes mas também do tipo de isco mais eficaz para a sua atracção. Os iscos podem dividir-se em três, básicamente os iscos preparados os iscos naturais e os artificiais. Mas a função de todos é enganar os peixes para que piquem o anzol.

Assim que dentro do meu pequeno conhecimento tentarei explicar da melhor forma possível alguns dos iscos utilizados para várias espécies em água doce.

O PÃO : o pão proprociona uma série de iscos diferentes que podem ser usados de várias maneiras. A côdea, devido à grande porosidade que possui flútua com muita facilidade e durante um largo periodo de tempo devido a isso pode ser arrastada, colocada no fundo ou acenada livremente na linha em lagos para a carpa, o barbo, a tenca, ou o olho verde ou a boga e em ríos para a pardelha dos Alpes ou para o escalo do Norte. O miolo pode ser usado para isco de anzol ou com engodo. Para o anzol o melhor é o que provém de uma fatia de pão realmente fresco, pois durará mais tempo devido à sua consistência húmida. Também pode ser transformado numa pasta se o misturarmos com água e se o amassarmos numa toalha porosa, dando origem a uma massa pegajosa ideal para aplicar no anzol e com grande poder atractivo para os peixes. É provavelmente o mais antigo dos iscos, e apesar de todas as inovações existentes continua a ser a base de muitos engodos e a exercer um poder atractivo sem igual na pesca em água doce. Além disso devido às suas propriedades existe a possibilidade de aderir ao pão um sem fim de sabores dependendo da necessidade. Existe já pão especialmente fabricado para a pesca, o famoso Pão Francés, embora este se utilize somente para pescar à boga, qualquer outro peixe também o comerá.


SEMENTES E GRÃOS: muitas sementes e grãos constituem umas partículas excelentes para utilizar como isco, mas todos eles devem ser cozidos para ficarem mais macios pois os peixes não os conseguem dígerir crus.

O CÂNHAMO - a semente mais utilizada é a de cânhamo, uma semente que possui em azeite um 35% do seu peso, que faz as delícias de muitas espécies de ciprinídeos, como o barbo, ou a carpa. O cânhamo ao ser cozido liberta um azeite que se pode considerar "afrodísiaco" devido al alto poder atractivo de esta semente, foi proibido o seu uso em competição em países como França, Inglaterra ou Bélgica devido à estraordinária diferença entre os pescadores que o utilizavam e os que não o faziam. Muitos pescadores entre os quais me encontro ao cozer o cânhamo guardam a água da cozedura para mais tarde molhar o engodo, o famoso azeite que liberta a semente ao cozer é um dos melhores métodos para atrair peixes ao posto de pesca. Para cozer o cânhamo bastam cerca de 20-30 minutos dependendo do tipo de cânhamo pois existe de vários tamanhos, saberemos que a semente está bem cozida quando se abre e saí da casca uma pequena língua branca.


O GRÃO - o grão é outro isco estrela, principalmente na pesca da carpa ou barbo, não deve ser usado em excesso pois é um isco de difícil digestão e os peixes fartam-se em pouco tempo. Pode ser usado como engodo ou no anzol, melhor utilizado um ou dois dias depois de cozer pois começará a frementar e aumentará o seu poder atractivo. O grão é um isco selectivo, que normalmente só nos dará capturas importantes, e por outro lado descartará os peixes mais pequenos da zona.



O AMENDOIM -  tal como o grão, o amendoim também é um isco selectivo devido à sua dureza mesmo depois de cozido. Um autêntico manjar para peixes de porte, qualquer barbo ou carpa que devido ao seu tamanho já tenha desenvolvidos os seus dentes farineos não deixará o pesqueiro enquanto houver um amendoim, para além disso o amendoim têm um segundo poder atractivo. O chamado efeito crocante, o peixe ao partir o amendoim provoca um ruído característico que atrairá qualquer outro que esté pela zona. Pode ser utilizado como engodo ou no anzol com o sistema "hair" tão típico na pesca denominada Carpfishing.


A ERVILHA - embora não seja tão utilizada como os outros é um isco fantástico se habituarmos os peixes com uma pré-engodagem, as ervilhas devido à sua textura não se podem cozer muito, pois a casca têm tendência a abrir-se. Qualquer "spot" de pesca que seja préviamente engodado com ervilhas será no futuro um excelente posto de pesca.
É um alimento muito rico em calorias (90,70kcal) por cada 100gr. O que produz nos peixes um estado de excitação na procura de mais alimento, isto junto ao facto de que é  um alimento de rápida digestão faz dela um isco maravilhoso.



A BATATA - desde tempos remotos este isco foi utilizado com grande êxito por pescadores de todo o mundo, a batata deve ser cozida ligeiramente, e tal como a ervilha engodar o posto de pesca durante vários dias pois são iscos que funcionam através do hábito. Deveremos cortar a batata em pequenos quadraditos de cerca de 1cm ou dois pois facilitará ao engodar e será o tamanho ideal para pôr no anzol, para além disso ao ficar a batata com esta forma evitará que seja arrastada  por qualquer corrente, facilitando assim a concentração dos peixes no lugar elegido.

O principal componente da batata é a água, que supõe mais de uma terça parte da mesma, (77,5%). O resto da sua composição são lípidos (0,1%), glúcidos (19,4%), prótidos (2%), e cinzas (1%). A batata constitui um alimento bastante equilibrado mas com carência de fibra, vitaminas, cálcio e com uma quantidade escassa de proteínas, porém com uma fonte alta em hidratos de carbono, almidão e  potássio o que faz dela um excelente isco para carpas pois por mais que comam sempre estarão com fome devido à rápida digestão que a batata produz. Além disso é um isco voluminoso que chama muito a sua atenção.



O MILHO - sabias que o milho começou a ser cultivado como alimento há mais de 7000 anos? Foi intruduzido na Europa no século XVI e era um alimento básico na dieta dos Incas, Mayas e Astecas.
Existem poucos alimentos no mundo com as propriedades do milho, e é talvez o único alimento do qual se aproveitam todos os seus componentes.
Nutrientes do milho: 123 calorias, 4gr de proteinas, 25gr de hidratos de carbono, 3gr de fibra, 2,5gr de gordura polisaturada, 260mg de potásio, 240mg de betacaroteno e 38mg de magnésio. Tudo isto faz do milho um alimento de alto valor nutritivo e de fácil digestão, o que o transforma num isco fabuloso para a pesca de ciprinídeos.


Talvez o mais famoso, possivelmente devido ao comódo que é como isco, pois hoje em dia qualquer superficie comercial possui latas de milho para múltiplos usos. Sempre cozido o milho é outro isco estrela devido às facultades que possui. O grão de milho têm uma pele relativamente dura o que permite lançar o isco a largas distâncias sem que se solte, são também bastante pesados e afundam com facilidade o que é muito ùtil para pescar em zonas de corrente. Outra propriedade do milho é que se pode impregnar com vários sabores e côres, existem no mercado vários aditivos para "fazer" milho vermelho, castanho ou outra côr ao nosso gosto com somente misturar o aditivo antes de cozer o milho. Eu no entanto penso que o que é natural é bom, e a melhor côr para pescar com o milho é mesmo a sua côr natural.


O QUEIJO -  a origem do queijo não é muito precisa, mas calcula-se que está entre o ano 3000 a.C e o ano 8000 a.C. Existem dados arqueológicos que demonstram a sua elaboração no antigo Egipto desde o ano 2.300 a.C. Foi na Suiça no ano 1815 onde se abriu a primeira fábrica de queijo para produção industrial.   Básicamente utilizam-se dois tipos de queijo, o Cheddar e o Camembert o primeiro devido a ser muito fácil de conseguir e maleavél e o segundo pelo poderoso aroma afrutado que desprende, um verdadeiro manjar para os barbos especialmente, embora também resulte bastante atractivo para carpas e tencas. Deve cortar-se em quadraditos como a batata e utilizar directamente no anzol, o Cheddar têm a particularidade de que no inverno fica bastante duro, para evitar isto, devemos derreter um pouco o queijo e amassá-lo com pão formando uma massa homógena que nos permitirá pescar sem problemas e o isco não perderá o atractivo.


O BOILLE -  mundialmente conhecido o boille, não é outra coisa que um conjunto de várias farinhas que depois de amassadas e misturadas se cortam em pequenos pedaços para dar-lhes uma forma de bola de pequeno tamanho (como um berlinde). Denominada "boille" proveninente do inglês ferver (to boil) hoje em dia parece que não se pesca com outra coisa, todas as grandes capturas devem os seus méritos a este fabuloso isco. O boille tal como qualquer dos iscos antes descritos é um isco de hábito, o que quer dizer que se vais pescar com boilles a um pesqueiro no qual nunca se utilizou antes tens as mesmas possibilidades de pescar que com qualquer outro isco. É bastante normal na pesca denominada Carpfishing a pré-engodagem com 20-30kg de boilles antes da pesca própriamente dita. Ora claro está que se eu provoco um hábito nos peixes a comer boilles durante meses o peixe identificará essa bolinha como alimento e quando ele estiver no anzol não deixará de fazê-lo. Assim pois parece que o boille veio para ficar, embora para mim seja um isco mais a adicionar ao local e momento da pesca.

RECEITA PARA FAZER BOILLES

 1- 60gr de caseinato de sódio, 60gr de caseina, 60gr de lactoalbumina, 30gr de gluten, 30gr de extracto de soja, 20gr de sémola de milho, 15gr de qualquer extracto em pó de morango, chocolate, baunilha ou outro ao nosso gosto e 10gr de qualquer corante para dar côr ao nosso boille.

2 - Removemos todos estes productos até conseguir uma massa homógenea, depois da massa pronta, utilizando outro recipiente batemos 6 ovos com 3ml de azeite, depois de batermos o conjunto juntamos a massa antes elaborada e batemos até conseguir uma pasta, a qual amassámos até conseguir uma boa consistência (se estiver demasiado pegajosa podemos pôr um pouco mais de caseinato de sódio) depois é só fazer bolinhas de 1 ou 2 cm de diâmetro e reboçar em farinha, para em seguida pôr uma panela com água a ferver e cozer as bolinhas durante 1,5minutos aproximadamente, ao cozer a bola ficará com uma "casca" que dará a dureza suficiente ao nosso boille, mas o seu interior continuará macio, para finalizar devemos escorrer os boilles e colocar sobre um pano ao al livre para que se sequem.

Ou então fazem como eu, vão a uma loja de pesca e compram. Pois como já antes mencionei, o boille é um isco de hábito, e se no mesmo pesqueiro se engodar sempre com o mesmo boille mais tarde ou mais cedo a pesca sairá.









2 comentários:

  1. Muito bom tópico.

    Muito obrigado e continue o excelente trabalho :)

    Abraço

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    1. De nada, é sempre um incentivo ver que o teu hobbie serve para alegrar alguém. Obrigado e desejos de muita escama.

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